Crônicas Noturnas

Crônicas Noturnas é um blog que fala da vida de pessoas como você. São crônicas bem-humoradas sobre relacionamentos, encontros, desencontros. Histórias sobre amigos. Portanto, não faça cerimônia: puxe uma cadeira e divirta-se!

Rodrigo Lopes






Prato pra dois


Tudo começou quando eles estavam na fila do buffet da comida a quilo e um senhor que estava na frente deles pegou o último pastelzinho de queijo da travessa. Rafael deu um resmungo, ela ouviu e sorriu.

Depois de um breve desencontro, graças à incursão dela pela ala das saladas, os dois voltaram a se encontrar na fila do churrasco. Uma troca de olhares aqui, uma rápida inspeção do prato do outro ali e logo estavam conversando.

- Isso é rúcula?
- Não, é beterraba. Rúcula é verdinha.
- Odeio verde.
- Eu adoro.
- Eu vi. Verde, pra mim, só M&M ou jujuba.
- Devia experimentar, faz bem para a saúde.
- Claro, esse cupim que você pegou também.
- Nossa! Quem colocou esse cupim aqui?! Tá bom... tá bom... assumo. Adoro cupim!
- Taí uma qualidade difícil de se encontrar numa mulher!
- Gostar de cupim?!
- Sim! Do que mais gosta?!
- Mmmmm... Deixa eu ver... rabada...
- Nossa!
- Dobradinha...
- Hummmm
- Salgadinhos gordurosos...
- Meu Deus!
- Lombo com batata...
- Não pára! Não pára!
- Sardinha frita...
- Ai...
- Torresmo...
- Deus, é você disfarçado de mulher?!
- Deixa de ser bobo...
- Sério. Você é perfeita. Mal te conheço, mas...
- O que?
- Olha só, imagina que estou diante do último pedaço de moela do mundo. Um único pedacinho de moela, com aquele molho bem temperado e uma rodelinha só de pão francês...
- Sim...
- Eu dava pra você.
- Foi a coisa mais linda que já me disseram...
- É! E dava também o coração!
- De galinha?
- Não, o meu...
- Aceito... os dois.



escrito por RODRIGO LOPES @ 23:34 - PESSOAS COMENTARAM


Domingo, Julho 20, 2003




Um parnasiano (história verídica...)


"Olha que dia lindo! Esse céu azul, esse mar. Olha o mar. Coisa bonita! Como brilha?! Sente a brisa... Vou abrir a janela rapidinho, tá, doutor?! Olha só que maravilha... Ah! Rapaz! O Rio de Janeiro é lindo demais. Que clima, que lugar, onde a gente pode achar um dia assim? Me diz. O senhor deve ser viajado. Eu não consigo imaginar nada melhor. Coqueiro, mar, gente bonita, pássaros, paraíso. Que dia! Meu Deus! Sabe o que dá vontade de fazer? Parar o táxi e admirar o horizonte. Sem pensar em tempo, em dinheiro, em nada, doutor. Só parar e olhar. Sentir a brisa, sentir o cheiro da vida. A vida tem cheiro, doutor! Mas a gente nem percebe. Nossa! Como dá vontade de ficar só olhando para o dia. E ficar horas. Depois, com uma mulher bacana do lado, comer um peixinho no limão, tomar um choppinho, conversar, rir, namorar. Aí no fim do dia, um motel. Porque esse dia inspira, né?! Dá vontade de passar a noite inteira comparecendo, o senhor me entende?! Taí: bela idéia! Sim! E a patroa em casa que se foda..."




escrito por RODRIGO LOPES @ 23:26 - PESSOAS COMENTARAM







A marrennnnta



- Eu não sou marrennnnta!
- É sim!
- Não sou!
- E não é "marréééééénnnnnta": é marrenta.
- Por que sou marrenta?
- Porque é.
- Exemplo?
- O simples fato de não aceitar que é já te faz marrenta.
- Isso não pode ser considerado indignação?
- Não no seu caso...
- Não sou marrenta!
- É. Mas tudo bem...
- E você, o que é, hein?
- Tá vendo?! Olha só o teu jeito de falar?! Marrenta...
- Isso é personalidade forte, meu filho!
- Não no seu caso...
- Arrrrrrrrrrrgh
- Resmungo de marrenta!
- De raiva, isso sim!
- Não no seu caso...
- Tudo no meu caso... Tudo no meu caso... Quer dizer que se eu fosse outra pessoa não seria marrenta?!
- Impossível!
- Impossível deixar de ser marrenta?
- Não. Impossível você querer ser outra pessoa. É marrenta demais para isso...
- Desisto, meu...
- Taí, paulista. Adoro esse teu "meu"...
- É? É "maneiro", Nando?
- Não, é marrento...
- Arrrrrrrrrrrgh



escrito por RODRIGO LOPES @ 21:28 - PESSOAS COMENTARAM


Sábado, Julho 19, 2003





Vai entender...



Ana?
Fala, Beto.
Tudo bom?
Tudo bem, Beto.

Você nota que uma pessoa não está afim de papo quando ela arruma um jeito de colocar o seu nome em todas as frases.

Mesmo?
Mesmo, Beto!
Ana, toda vez que você fica repetindo o meu nome eu sei que tem merda. Fala o que eu fiz...
Você acha isso, Beto?
Ihhhhhh
Ihhhhh o quê, Beto!
Quer parar?
Parar com o quê, Beto?
Parar de repetir meu nome...
Tá bom, Beto!
Arghhhhhhhh
Beto?!


escrito por RODRIGO LOPES @ 21:17 - PESSOAS COMENTARAM







Holerite



O que é isso vermelho aí no seu braço?
Ih, rapaz... acho que é holerite.
Nossa! Que chato, hein?!
Mas já está terminando.
Foi o quê?
Reação alérgica a uma coxinha que comi lá no Centro.
Isso é sério. Tem uma prima minha que tem.
Holerite?
É.
Por reação alérgica?
Trio Los Angeles.
O quê?
Isso. Reação alérgica ao Trio Los Angeles. É aparecer na tv pra ela começar a se coçar.
Que estranho...
Nem me fala... dizem que é incurável...
Se é... E você?
Eu nunca tive holerite... quer dizer, eu costumo a assistir aos jogos da seleção com a mesma roupa.
Isso é superstição!
Mas é que coça...
Isso é sujeira!
Não. Coça só quando o Vampeta entra em campo...
Ih, rapaz... isso é holerite!
Jura?
E das brabas....
Droga! Eu sabia...



escrito por RODRIGO LOPES @ 20:56 - PESSOAS COMENTARAM








A barata



Defendo a teoria de que não há homem no mundo capaz de dizer não a uma mulher.

Quer dizer, tirando o meu vizinho que, no último carnaval, bastou ouvir o cantor da bandinha gritando "Vamos lá, minha gente! Muita alegria e pau no samba!", para sair pelas ruas cantando "Eu sou o samba... sou natural daqui do Rio de Janeiro..."

Fora esse cara e simpatizantes, não há homem no mundo capaz de dizer não a uma mulher. É verdade! Imagino até como seria o mundo se elas tivessem dado pitaco em determinadas horas...

- Alô, Baggio querido?
- Oi, bella!
- Meu amor, se o jogo for ser decidido nos pênaltis, promete que bate rasteiro?!
- Sei não...
- Ai... por favor...
- Tudo bem, prometo! Bato no chão, querida!

Ou ainda:

- Hitler, vem cá!
- O que foi?
- Eu gosto dos judeus.
- E daí?
- E daí que você vai parar com essa implicância!
- Ãhn?
- Ai... por favor...
- Tá bom! Tá bom!

Há alguma coisa mágica nesse "Ai... por favor..." que deixa os homens completamente indefesos e influenciáveis. Eu não sei muito bem o que é; nem por quê. Mas é a mais pura verdade!

Talvez essa discussão seja besteira e a razão seja simples e óbvia: as mulheres ficam lindas dizendo "Ai... por favor...".

- Aaaaaaaaii, uma barata! Socorro!
- Mata, ora.
- Você tá maluco?! Aaaaaaii, ela mexeu.
- Claro, ela está viva. Bate com um chinelo que ela pára de mexer...
- Mata você, por favor...
- Ok. Sem problema! Faz o seguinte: você coloca o telefone bem perto dela que eu vou dar um berro. Vai que ela é cardíaca...
- Não brinca, Rafa. Mata ela. Aaaaaaaii, ela tá andando...
- Dani, estou na Urca. Você, seu chinelo e a barata estão na Barra... preciso realmente te convencer que isso é loucura?!
- Por favor...
- Não tem ninguém aí?
- Não.
- Vizinhos?
- Você acha que eu vou chamar um vizinho para matar uma barata aqui???
- Claro. Faz todo sentido...
- Não dá, tenho vergonha... Mata ela, por favor!
- Vergonha???
- Tá bom! Tá bom! Não precisa vir, seu insensível. Eu mesma mato.

Um parêntesis. Não sei se vocês já repararam, mas as baratas são grandes estudiosas do comportamento humano. Dotadas de uma ótima capacidade de observar o ambiente à sua volta e de um terrível senso de humor, elas costumam se comportar da seguinte maneira diante de pessoas que têm medo:

Primeiro, aparecem dando a impressão de que foram descobertas, o que no fundo é uma grande maldade. Afinal a pessoa fica achando que já convivia com ela há muito tempo sem perceber. E o pior: pensa até que deve haver por perto, muito perto, baratas parentes e amigas.

Depois, elas se fazem de frágeis. Assim, ratificam o primeiro argumento da turma do "deixa disso":
- Barata é um bicho inofensivo... Olha o tamanho dela e olha o teu?! Ela é que tem que ficar com medo...

Aí, quando tudo parece se resolver e a pessoa que tem medo decide parar de gritar, vem o xeque-mate mais cruel de todos: elas voam. É impressionante! Mas sempre que você está conseguindo convencer alguém de que a barata é inofensiva, ela percebe, dá um sorriso irônico e voa.

Depois disso, não há mais o que dizer e o melhor a fazer é pegar o chinelo e bater na malandrinha. Fecha parêntesis.


- Meu Deus!!! Ela é voadora!!!
- Não diga...
- Eu juro!
- Faz o seguinte: fica de olho nela enquanto eu penso em alguma coisa...
- Ai... por favor...

Campainha.

- Cadê a bara...
- Eu não acredito!
- Não acredite mesmo! Só eu para vira da Urca para cá matar uma barata!
- Não, seu bobão. Não acredito que ela tem medo da campainha. Olha só, voou lá pra fora...

Ah! Esse "Ai... por favor..."



escrito por RODRIGO LOPES @ 23:01 - PESSOAS COMENTARAM


Segunda-feira, Julho 14, 2003





Dulpo Engano


Olá!
Olá, tudo bem?
Ah! Você sabe..
É! Eu sei. Tua avó está bem?
Ótima! No outro dia mesmo perguntou por você.
E você?
Eu, nada. Mudei de assunto.
Você não perde essa mania...
E o trabalho?
Não disse?!
Responde, Bruno!
Bruno?
Bruno?!
Mas o meu nome é Sérgio.
Sérgio?
É. Sérgio.
Desculpa. Foi um engano.
Foi mesmo.
Pra falar a verdade eu nem tinha que ter ligado...
É verdade!
Sabe como é?! Às vezes a saudade aperta e a gente acaba fazendo uma loucura.
Sei como é, sim! No outro dia quase fiz isso...
Voltar seria um grande erro.
Seria. Acho que o ciclo acabou. Insistir seria um erro.
Que bom que você também pensa assim... Adeus, Bruno!
Sérgio. É Sérgio.
Adeus Sérgio!
Adeus, Carol... espera: qual o teu nome?
É Paula.
Adeus, Paula! Prazer, hein?!
Tchau!
Tchau!



escrito por RODRIGO LOPES @ 22:55 - PESSOAS COMENTARAM







Mulheres...


- Eu tô gorda!
- Que isso, Clara?! Tá maluca?
- Eu tô enorme de gorda, olha só essa calça?! Não entra de jeito nenhum...
- Mas você odeia essa calça...
- Isso não está em questão, Fernando. Odiando ou não ela deveria dar em mim!
- Pára de besteira, Clara. Você está ótima!
- Eu tô gorda! Você por acaso é cego?
- Hummm...
- Tira a mão de mim!
- É assim que os cegos enxergam, bonitinha!
- Que legal, um humorísta... Pior: um humorista que acha que sou só bonitinha...
- Bonitinha, eu te chamo de bonitinha desde antes...
- "Desde antes" do quê, Fernando?! Desde antes de eu ficar gorda?!
- Mas que besteira, Clara!
- Sei...
- Você é linda de qualquer jeito!
- Agora definitivamente você me chamou de gorda... Olha, Nando, você hein?!
- Não coloca palavras na minha boca! Olha lá...
- Então o que você disse?
- Disse que o que importa é o que você tem por dentro...
- Ah é? E você por um acaso tem visão raio-x agora, ô malandrão?
- Viu como você não está gorda?
- Ãhn?
- Todo gordo é simpático. Olhe pra mim, sou simpático! Você, não. Você tá chata pra cacete...
- Você que está!
- Que nada! Sou um ortodoxo.
- Não, você é lindo.
- Chata e cega!
- Hummm...
- Hummm...



escrito por RODRIGO LOPES @ 22:51 - PESSOAS COMENTARAM






Agulhas num palheiro


Não sei quanto a você, mas eu sempre acreditei naquela história de "feitos um para o outro".

Tudo bem que às vezes o destino não consegue ser tão eficiente e a coisa demora um pouco para acontecer. Ah! Mas quando tem que ser os caminhos se cruzam cedo ou tarde; e a paixão acontece.

Eu sei! Eu sei! Tá cada vez mais difícil acreditar nisso. Até porque são 6 bilhões de pessoas no mundo.

Pois é, isso não se pode negar. Mas veja bem, dessas 6 bilhões de pessoas, 2,5 bilhões são chineses ou indianos. Então a gente já corta para um pouco mais da metade.

E tem mais: desses 3,5 que sobram, 1 bilhão é islâmico. E outros 2,2 não falam português. Ou seja, restam 300 milhões de pessoas.

Quer dizer, restariam se não houvesse 167 milhões de casados. De bobeira, ja reduzimos o número inicial para 133 milhões de pessoas. E os homossexuais? 23% na última pesquisa! Caiu pra 102,41. Só 102,41 milhões!

Tá certo! Tá certo! Achar alguém no meio dessa multidão continua tão dificil quanto achar a famosa agulha no palheiro...

Mas também ainda temos que tirar os padres, as freiras e os seminaristas. Crianças, idosos, gente estranha, fãs de axé music e pagode (isso é importante!), duplas sertanejas de Goiás, árbitros de futebol, dirigentes, políticos e demais marginais. Então restam 26,5 milhões.

E os amantes? Ihhhh... Pode tirar aí a metade, afinal... bom, o fato é que agora só restam 13.000.000 de pessoas. E, extendendo nosso corte aos outros compromissados como namorados, noivos e demais enrolados, chegamos ao impressionante número de 3 milhões de palhas no palheiro.

Espera! Eu já ia me esquecendo dos engenheiros, decoradores, físicos nucleares e demais enrustidos, líderes sindicais e do pessoal do MST. Tira todo mundo!

Hummm... Gente que se leva a sério demais e gente chata?! Corta! Sobram apenas 15 pessoas.

Por fim, vamos tirar aquelas pessoas que colam um adesivo "Eu acredito em duendes!" no carro e, claro, os duendes. Restaram 2 pessoas! Apenas 2!

Eu e aquela moreninha linda ali da mesa 02. Nossa, que gracinha...



escrito por RODRIGO LOPES @ 22:42 - PESSOAS COMENTARAM






Nietzsche? Saúde!


Ela corre na Lagoa toda manhã.
Ele joga pôquer com os amigos toda quinta.

Ela adora queijo brie com geléia de damasco.
Ele ama goiabada com queijo.

Ela fala francês.
Ele fala na língua do P.

Ela está sempre bem vestida.
Ele acha que ela demora muito pra se arrumar.

Ela usa gel para banho.
Ele não lava atrás da orelha.

Ela estudou psicologia.
Ele odeia conselho.

Ela usa creme hidratante.
Ele acha que escorrega.

Ela joga gamão.
Ele era o rei do bafo.

Ela anda de salto alto.
Ele anda com o calcanhar pra fora do chinelo.

Ela gosta de teatro.
Ele gosta de falar que ator de teatro é tudo viado.

Ela ama o Kurosawa.
Ele imita o Robocop.

Ela estende a toalha depois do banho.
Ele faz pilha de roupa suja no quarto.

Ela acorda de mau humor.
Ele acorda alegre até demais.

Ela acha a mãe dele uma pessoa difícil.
Ele acha a mãe dela uma chata.

Ela lê Nietzsche.
Ele diz "Saúde!".

Ela gosta de serra porque é mais romântico.
Ele gosta de praia porque tem bunda.

Ela acha o Zéfiro um ícone da manifestação artística de uma época muito conturbada.
Ele só ligava pra sacanagem, mesmo.

Ela tem uma agenda.
Ele só chega atrasado.

Ela lembra de tudo.
Ele inventa.

Ela acha importante discutir o relacionamento.
Ele acha que ela complica muito as coisas.

Ela só terá filhos quando estiver estabilizada.
Ele quer ter pelo menos cinco filhos.

Ela diz que ele precisa crescer.
Ele diz "Eu sei, mas juro que isso nunca me aconteceu antes!"

Ela era a primeira da turma.
Ele sentava no fundo.

Ela espirra baixinho.
Ele espirra gritando.

Ela pára pra se ajeitar toda vez que vê um espelho.
Ele sai pra rua com a camisa do avesso.

Ela adora salmão com molho de manga.
Ele não pode ver um enroladinho de salsicha.

Ela gosta muito de champagne.
Ele só toma Bohemia.

Ela gosta de experimentar coisas novas.
Ele só toma Boehmia.

Ela conhece a Europa.
Ele quer conhecer a Disney.

Ela pulou o C.A.
Ele repetiu a primeira série.

Ela come escargot.
Ele diz "Pô, Amor! Aqui na mesa?!"

Ela acha os amigos dele imaturos.
Ele acha as amigas dela umas chatas.

Ela disse sim.
Ele também.

E viveram felizes para sempre.



escrito por RODRIGO LOPES @ 22:40 - PESSOAS COMENTARAM


Powered By Blogger TM